“Ensina-nos a viver na fidelidade à Palavra”
- DIOCESE EUNÁPOLIS

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30 ANOS DA DIOCESE DE EUNÁPOLIS (1996–2026)
Ano Bíblico – Uma caminhada de fé
“Ensina-nos a viver na fidelidade à Palavra” Inspirados pelos Atos dos Apóstolos.

Ao celebrar os 30 anos da Diocese de Eunápolis, somos convidados a reler nossa história à luz da Palavra de Deus. O Ano Bíblico nos conduz a redescobrir a experiência da Igreja nascente, especialmente como nos é apresentada no livro dos Atos dos Apóstolos: uma Igreja guiada pelo Espírito Santo, sustentada pela oração, fortalecida pela comunhão e enviada em missão.
Nos Atos dos Apóstolos, a oração ocupa um lugar central. Apóstolos, diáconos e fiéis não apenas assumiram a sensibilidade social de Jesus Cristo por meio do serviço da caridade, mas também aprenderam com Ele o caminho da oração constante, confiante e comunitária.
1. A oração como fundamento da vida comunitária
Logo no primeiro capítulo dos Atos encontramos um testemunho forte da oração comunitária:
“Todos eles tinham os mesmos sentimentos e eram assíduos na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus” (At 1,14).
A comunidade primitiva de Jerusalém se apresenta unida, perseverante e fraterna. A oração não é individualista, mas vivida em comunhão, envolvendo homens e mulheres, leigos e apóstolos, com Maria no coração da Igreja nascente.
2. A oração como caminho de discernimento
Ainda no início dos Atos, a oração aparece como elemento essencial no discernimento da vontade de Deus. Diante da necessidade de escolher quem ocuparia o lugar de Judas Iscariotes, a comunidade reza:
“Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois escolheste…” (cf. At 1,23-26).
A escolha de Matias acontece num clima profundamente orante. Assim como Jesus rezou antes de escolher os Doze, os apóstolos rezam antes de tomar decisões importantes. A oração ilumina, purifica intenções e conduz à vontade de Deus.
3. A oração como marca da Igreja perseverante
No segundo capítulo, Lucas nos oferece o primeiro retrato da comunidade cristã:
“Eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (At 2,42).
A perseverança na oração caminha junto com a escuta da Palavra, a vida fraterna e a Eucaristia. Trata-se de uma comunidade aberta, alegre e missionária:
“Diariamente frequentavam o Templo… louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (At 2,46-47).
Comunidades orantes são comunidades vivas, acolhedoras e fraternas.
4. Oração e caridade caminham juntas
No capítulo 3, Pedro e João sobem ao Templo para a oração da tarde e encontram um coxo de nascença. A experiência orante não os fecha em si mesmos, mas os torna sensíveis ao sofrimento humano:
“Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda” (At 3,6).
A oração gera compromisso e transforma a realidade. O homem curado sai “andando, pulando e louvando a Deus” (At 3,8). Onde há oração verdadeira, nasce vida nova.
5. A oração que vence o medo e gera coragem
Após a prisão de Pedro e João, a comunidade se reúne em oração. O resultado é surpreendente:
“Quando terminaram a oração, estremeceu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam a Palavra com coragem” (cf. At 4,23-31).
A oração liberta do medo, fortalece a fé e impulsiona o anúncio do Evangelho.
6. A oração que liberta e sustenta a Igreja
Quando Pedro é preso por Herodes, a Igreja reza intensamente por ele:
“A Igreja rezava fervorosamente a Deus por Pedro” (At 12,5).
A oração da comunidade acompanha e sustenta a ação libertadora de Deus. O Senhor escuta o clamor do seu povo.
7. A prioridade da oração na missão apostólica
Diante do crescimento da comunidade e das novas necessidades, os apóstolos delegam o serviço aos diáconos para que possam se dedicar:
“À oração e ao serviço da Palavra” (At 6,4).
A oração é prioridade, fonte e sustento da missão.
8. A oração como força da ação missionária
A oração acompanha e fecunda toda a missão da Igreja:
• Pedro e João rezam pelos samaritanos para que recebam o Espírito Santo (cf. At 8,15);
• A oração abre a Igreja aos pagãos, como na conversão de Cornélio (cf. At 10–11);
• A cura de Eneias e a ressurreição de Tabita revelam o poder da oração (cf. At 9,32-42);
• Paulo cura o pai de Públio após o naufrágio em Malta (cf. At 28,7-9).
A oração tem força terapêutica, restauradora e libertadora.
9. A oração que transforma mentalidades e envia missionários
Foi em oração que Pedro superou preconceitos e barreiras culturais (cf. At 11,1-18). Em Antioquia, durante uma celebração com jejum e oração, o Espírito Santo envia Barnabé e Saulo para a missão (cf. At 13,2-3).
O envio missionário nasce sempre de um coração orante.
10. A oração que acompanha o caminho e a despedida
Paulo viveu sua missão envolto em oração: despede-se dos fiéis rezando com eles (cf. At 20,36), ora à beira-mar com a comunidade de Tiro (cf. At 21,5) e continua sendo instrumento de cura e esperança até o fim de sua caminhada.
CONCLUSÕES
• A oração é uma experiência permanente da Igreja primitiva;
• Está profundamente ligada à comunhão fraterna e ao crescimento da comunidade;
• É essencial nos processos de discernimento;
• Gera coragem, liberdade e frutos extraordinários;
• Tem prioridade na vida apostólica;
• Garante a fecundidade da ação missionária.
PARA A REFLEXÃO PESSOAL
• O que há de comum entre a oração de Jesus e a experiência da comunidade primitiva?
• O que mais lhe chama a atenção na experiência de oração de Pedro e Paulo?
• Por que cremos que a oração promove os bons frutos da ação missionária?
Eunápolis, 22 de janeiro de 2026
Dom José Edson Santana Oliveira
Bispo Diocesano




